For as one says, another answers and I go.

My emotions are barbarious, one would say
and so are my moves, my countenance --
someone who felt less might overcome it,
be calm and gentle, be all property. 

When you said forget-me-not -- I, 
I seconded it most ardently -- woe is me!
One who did not still feel your body close might,
might let go with easiness that it is not mine.

And one would say I am giving too much
because I don't smile anymore, I carry you with me.

Someone who was less sensitive could do
away with all the grieveous feelings you have. 
Someone, then, would not grieve over your grief and your
trials and your - yours which are mine as well.

My lament is unheard, one would say,
for you do not see me, you see yourself --
one who trusted less could believe in it and 
could let go of you and could stop all. 

But when I see you -- one could say many things --
and someone who cared about us less might turn away. 
As for me, I hear that my emotions are altogether too much.
My feelings are barbarious, they say.

But someone who loved you less...

Tinha uma linha no lugar do coração.


Tinha uma linha no lugar do coração.
Linha fina, longa e lisa.
Não era uma corda, era sem som.
Nada emitia quando vibrava.

Se emitisse, seria uma mensagem
daquelas discretas e sem exuberância.
Mas sua linha era calma, estável
e nem mexia-se com a respiração.

Não havia nó nem tremular
e parecia impossível desfiá-la.
Tudo aquilo dava um grande silêncio
dentro do peito. Uma grande calmaria.

Crescer daquele jeito era –
era como ver o mundo bem do alto.
Existe uma insuperável distância
entre um coração e uma linha.

Os peitos do mundo ardiam e gritavam
Porém aquele só vibrava.
Seus avisos eram urgentes e silenciosos
Longos, parando muito devagar.

Tinha uma linha no lugar do coração.
E fazia o corpo inteiro segurar-se:
Para não tremer, não expor.
Não falava, mas seu silêncio era extenuante.

Simmetry

The delicate bones of your neck
and shoulders -- long lines.
I do fit there, against your warmth.
Yes, the long lines in between.

Sillhouettes of bodies, small 
bitemarks against the clean skin.
The spaces of your fingers 
or the long lines of wrists.

A thrill of laughter and expectation.
There are slight curves in your
hips and in your darkening eyes.
And the long lines on our mouths. 

At last, this looks uncloses me.
I see the fluttering of your ribs
wondering if you can feel mine. 
And lean against your long lines. 

If light plays well, you'll see
my re-entrances and bumps -- slow
movements of arms and legs
that are not always long lines.

Your freckles and my paleness,
yours is dusted - mine, solid. 
But the way we lean into each other.
I suddenly am the long lines. 

For there is no parting when, 
slowly, we touch, nor when we let go.
We meet again, delicate, spaciously,
curving and unclosing when
we mould into one long line. 


Cinzas em flor

Eu tinha uma expectativa de retorno.
Retorno não, recomeço.
Redesabrochar, renascimento, redescoberta.
Saber mais do que já sabia, ver mais.
Descartar-me inteira com o passado para poder
transluzir no futuro.


Tinha um sonho inquieto.


Já não suportava sozinha tanto amor guardado.
No que era novo o antiquíssimo desgaste
das minhas jóias e perfumes.
Eu queria enfeitar tudo com flores novas.


Como o dia amanhecendo, vi luz.


Era como se relampejasse em meu espírito cru
a impossibilidade de voltar.
Se estendiam diante de mim sendas
cheias de recomeço.
As cinzas da primavera.
Já passou-se uma.
Desfaleço inteiramente ao pensar que
outra virá e outra e outra...
E assim infinitamente, até que meus olhos se cansem.

Amor sem decassílabos

Ainda amo,
                 não mais tiranicamente. 
Amo como torpor,
                 não como grito.
Amo lentamente,
                 não como revoada. 


Perdi a chama,
                 não a essência. 
Perdi vitoriosa,
                 não desfalcada.


Ainda amo,
                 não em frangalhos. 
Amo como aumentada, 
                 não como vassala. 
Amo em vagas, 
                 não formalmente. 

A coisa

Vi, mas não sei o que vi,
se pelos cantos das paredes, 
se nos rodapés ou nas frestas,
mas eu vi! o quê, não sei. 


Tinha tanta sombra miúda, 
olhos expressivos semicerrados, 
e fazia que estremecesse inteiro.
Mas eu vi!


Uma respiração como
frígida folha farfalhante.
Senti como se fosse um
monstro de criança em medo adulto. 


Mas vi!


Como explicar seus suspeitos passos, 
se desfiz a primeira impressão
de raiva, de carinho doído e amargo.
Agora, sinto o que não sei. 

Um retorno

Fui na perdição, te vi de longe para abandonar as palavras vazias, e tudo se fez mais amplo que o desabrochar daquelas pequenas rosas selvagens quase fechadas em botão nos meus braços que eram desfeitos. Nada disse porque pouco sei, já que é o vermelho tão sutil pendurado em cada um de meus cílios como nascimentos - são crianças dependuradas de meus olhos assustados, assustados porque não sabem muito mais do que a infantilidade do dia novo. E te vi de longe, muito longe, como se fosse fugitivo de um cansaço pesando sobre os ombros desbeiçados, para que me ajoelhasse a seus pés como pobre ser que sou, unicamente tão mulher, pois no fundo é sangue escorrendo em um silêncio desumano feminino da minha feminilidade fértil. E homem que me enfeitou com tantas rosas selvagens em botão miúdo não faz isso. Ou talvez faça, porque todos morrem um pouco por dentro - e eu, eu morro no amor calado que guardo para ti em cada pétala no desabrochar.