my love is
Posted on 21:04 by Joana
A espera inominável do talvez
- um, dois, três suspiros -
percorre pouco o corpo, mas não a alma.
Entrega-me tudo, tão lentamente...
Não há mais o correr.
Não existe impetuosidade.
Mas seus olhos
seus olhos
E não dou nome aos espaços
ou aos tempos de respirar.
Os anos longos, longínquos,
que passam sem ansiedade pelo meu corpo.
Tudo me reaprende
sem pressa e sem queda
E seus olhos
seus olhos
Posted on 22:16 by Joana
Aberturas eternizadas.
Flores novas.
Prosa-poética.
Dias, noites, tudo longo.
Peço coisas estranhas do meu texto que é assim, cheio de [respiros,
meu texto que hoje é não é verso, não é nem emulação.
Vejo minhas palavras na chuva no vidro,
percebo sentimentos em rostos no metrô,
troco passos, até tropeço,
sinto as horas passando.
E sou eu parada na fila e sou eu parada no semáforo e sou [eu -
e sou eu parada pensando em você.
Posted on 23:17 by Joana
foi tempestade, vendaval, foi força repentina.
arrancou raízes e fixações, lavou nódoas daquelas indeléveis.
...trouxe meu lirismo perdido,
meus olhos longínquos, meu amor ardido...
assim, suspiros há muito esquecidos.
essas coisinhas que haviam escapado,
escoado entre meus versos, secado minhas palavras.
límpidos espaços agora verdejam.
Posted on 19:37 by Joana
Posted on 23:53 by Joana
And because she loved him, she could not take the leap - it would ruin his carefully ladden future, it would cripple him. And so she stayed and married another and never sighed and carried herself stoically. And so he went and climbed to heights unthinkable and to sights of glory and to halls of silence. Their eyes met everyday - there was no word exchanged that did not carry the weight of their sacrifice.
Posted on 17:32 by Joana
Posted on 13:29 by Joana
When I try to forget you, things fade slowly,
but then explode and thrash my new found silence.
When I force myself to remember, there is nothing
but your once-loving eyes and my breath being wasted.
When I study the subject of us, every single piece is a [formula,
but they cannot fit together and my pain is a riddle.
When I enquire into the metaphysics, there is nothing of [sense
but then I never supposed my love was sensible or wise.
When I stop fighting, you overcome me wholly,
but that is nothing more than drowning slowly.
When I build walls there is no greater silence
but the world is worn and tiresome.
When I do not try, nor study, nor fight
When I let go, when there is a space in between
You leave me all over again and that is a void my being cannot endure.
Posted on 00:30 by Joana
My emotions are barbarious, one would say
and so are my moves, my countenance --
someone who felt less might overcome it,
be calm and gentle, be all property.
When you said forget-me-not -- I,
I seconded it most ardently -- woe is me!
One who did not still feel your body close might,
might let go with easiness that it is not mine.
And one would say I am giving too much
because I don't smile anymore, I carry you with me.
Someone who was less sensitive could do
away with all the grieveous feelings you have.
Someone, then, would not grieve over your grief and your
trials and your - yours which are mine as well.
My lament is unheard, one would say,
for you do not see me, you see yourself --
one who trusted less could believe in it and
could let go of you and could stop all.
But when I see you -- one could say many things --
and someone who cared about us less might turn away.
As for me, I hear that my emotions are altogether too much.
My feelings are barbarious, they say.
But someone who loved you less...
Posted on 15:47 by Joana
The delicate bones of your neck
and shoulders -- long lines.
I do fit there, against your warmth.
Yes, the long lines in between.
Sillhouettes of bodies, small
bitemarks against the clean skin.
The spaces of your fingers
or the long lines of wrists.
A thrill of laughter and expectation.
There are slight curves in your
hips and in your darkening eyes.
And the long lines on our mouths.
At last, this looks uncloses me.
I see the fluttering of your ribs
wondering if you can feel mine.
And lean against your long lines.
If light plays well, you'll see
my re-entrances and bumps -- slow
movements of arms and legs
that are not always long lines.
Your freckles and my paleness,
yours is dusted - mine, solid.
But the way we lean into each other.
I suddenly am the long lines.
For there is no parting when,
slowly, we touch, nor when we let go.
We meet again, delicate, spaciously,
curving and unclosing when
we mould into one long line.
Posted on 00:26 by Joana
Eu tinha uma expectativa de retorno.
Retorno não, recomeço.
Redesabrochar, renascimento, redescoberta.
Saber mais do que já sabia, ver mais.
Descartar-me inteira com o passado para poder
transluzir no futuro.
Tinha um sonho inquieto.
Já não suportava sozinha tanto amor guardado.
No que era novo o antiquíssimo desgaste
das minhas jóias e perfumes.
Eu queria enfeitar tudo com flores novas.
Como o dia amanhecendo, vi luz.
Era como se relampejasse em meu espírito cru
a impossibilidade de voltar.
Se estendiam diante de mim sendas
cheias de recomeço.
As cinzas da primavera.
Já passou-se uma.
Desfaleço inteiramente ao pensar que
outra virá e outra e outra...
E assim infinitamente, até que meus olhos se cansem.
Posted on 16:04 by Joana
Ainda amo,
não mais tiranicamente.
Amo como torpor,
não como grito.
Amo lentamente,
não como revoada.
Perdi a chama,
não a essência.
Perdi vitoriosa,
não desfalcada.
Ainda amo,
não em frangalhos.
Amo como aumentada,
não como vassala.
Amo em vagas,
não formalmente.
Posted on 13:13 by Joana
Vi, mas não sei o que vi,
se pelos cantos das paredes,
se nos rodapés ou nas frestas,
mas eu vi! o quê, não sei.
Tinha tanta sombra miúda,
olhos expressivos semicerrados,
e fazia que estremecesse inteiro.
Mas eu vi!
Uma respiração como
frígida folha farfalhante.
Senti como se fosse um
monstro de criança em medo adulto.
Mas vi!
Como explicar seus suspeitos passos,
se desfiz a primeira impressão
de raiva, de carinho doído e amargo.
Agora, sinto o que não sei.
Posted on 11:55 by Joana
Fui na perdição, te vi de longe para abandonar as palavras vazias, e tudo se fez mais amplo que o desabrochar daquelas pequenas rosas selvagens quase fechadas em botão nos meus braços que eram desfeitos. Nada disse porque pouco sei, já que é o vermelho tão sutil pendurado em cada um de meus cílios como nascimentos - são crianças dependuradas de meus olhos assustados, assustados porque não sabem muito mais do que a infantilidade do dia novo. E te vi de longe, muito longe, como se fosse fugitivo de um cansaço pesando sobre os ombros desbeiçados, para que me ajoelhasse a seus pés como pobre ser que sou, unicamente tão mulher, pois no fundo é sangue escorrendo em um silêncio desumano feminino da minha feminilidade fértil. E homem que me enfeitou com tantas rosas selvagens em botão miúdo não faz isso. Ou talvez faça, porque todos morrem um pouco por dentro - e eu, eu morro no amor calado que guardo para ti em cada pétala no desabrochar.
Posted on 23:56 by Joana
O que me disse?
Parada diante do sol desmaiado,
eu mordo meus lábios trêmulos.
Se me lembrasse de suas falas...
A verdade é que não estou PRONTA.
Você estava comigo então?
Quando joguei ao fogo meus medos
e desfiz-me em lágrimas,
você disse algo então?
Agora penso e me esforço -
fui eu ou fomos nós? -
Passam por mim correntes de ar,
grãos de areia e folhas.
Mas ainda não estou PRONTA.
Deixo de lado quem me acompanha.
Caminho só e lenta,
e teus olhos não sabem.
Na distância, penso se somos
futuro, passado ou mortalha.
Quando choramos juntos,
quando caímos juntos,
quando veio o adeus...
Você disse algo então?
E, nesse momento, quando tudo renasce,
eu miro o sol sob a nuvem,
e você, só Deus sabe.
Será que se eu pudesse te tocar...
Eu estaria PRONTA?
Posted on 21:38 by Joana
Posted on 20:16 by Joana
Posted on 19:41 by Joana
A criança tem fome,
fome do ar que é puído,
fome da água que é branca,
tem olhos grandes cheios de febre.
Mas a criança não chora.
Nem de fome
nem de febre.
A criança tem frio!
É do frio rasgado,
é do frio dissonante,
a boca aberta cheia de fogo.
Mas a criança não chora.
Nem pelo frio
nem pelo fogo.
Criança do horto!
Criança martirizada,
pelo frio e a febre,
pela fome e o fogo.
Criança dos olhos grandes.
Criança da boca aberta.
...criancice viciada -
pelo frio, fogo, fome e febre.
Mártires as crianças!
Só fotos e folhas,
sem a friagem.
sem o fogaréu.
Só olhos e boca.
sem esfaimar.
sem fumegar.
Só a criança.
Posted on 16:57 by Joana
Posted on 15:56 by Joana
Era uma noite calada de lábios
e rosas há muito fanados.
Enquanto meu corpo desfacelava-se
em suspiros e tristes fogos.
Não, não digo que rasga -
mas queima-me a ponta dos dedos.
Foi meu peito corroído,
foi um lastro de veneno,
foi a força desconhecida
ou foi um resquício de lamento?
Era uma noite calada de laços
e fitas há muito puídos.
Enquanto teu olhar esperava
por gritos e pobres soluços.
Pois eu sei que não mata -
amputa-me de um amor.
Foi uma manhã fria,
foi a temporada de chuvas,
foi árdua caminhada
ou foi o fim de nossa estátua?
Era uma noite calada de rios
e burburinhos do meu espírito.
Posted on 18:47 by Joana